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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Califórnia vai votar a legalização da maconha

http://noticias.uol.com.br/ midiaglobal/elpais/2010/10/22/ california-vai-votar-a- legalizacao-da-maconha.jhtm
22/10/2010 
Antonio Caño, em Los Angeles, e Pablo Ordaz, em Tijuana
  • Pacotes de maconha apreendidos são exibidos durante apresentação para a mídia em Tijuana, México, na segunda-feira (18). Foram apreendidas 105 toneladas que iriam para os EUA
Em sua melhor tradição de vanguarda mundial, a Califórnia propõe uma nova e definitiva via para atacar o tráfico de maconha: legalizá-la. A população desse Estado decidirá no próximo dia 2 em um referendo a autorização ou não do cultivo, venda e consumo desse produto. Esse passo, além de representar uma revolução cultural mesmo nesta sociedade tão permissiva, poderá ter fortes repercussões internacionais, tanto entre os responsáveis pelo combate às drogas quanto entre os milhões de consumidores em todo o mundo.
Para Yami Bolaños, a maconha não representa qualquer ameaça. A erva ajudou-a a atenuar a dor enquanto lutava contra o câncer, e agora ela tenta ajudar outros doentes vendendo-lhes a droga em seu dispensário Pure Life Alternative, na Avenida La Ciénega, no oeste de Los Angeles. Seu cardápio inclui produtos com denominações como Pura Vida Hash, L. A. Confidential ou Woody Harrelson, em homenagem a "um entusiasta".
Desde 1996, quando foi autorizado na Califórnia o uso da maconha para fins médicos, proliferaram empresas semelhantes. Calcula-se que haja mais de 400 só nesta cidade, e mais de mil distribuídas por todo o estado. Trata-se de um negócio que gera lucros em torno de US$ 1 bilhão anuais e que repercute no desenvolvimento de outros setores da economia. Inclusive na promoção das artes, já que se conhecem alguns donos de galerias que as sustentam graças à venda de maconha.
Esses benefícios seriam mínimos, segundo os defensores da legalização, comparados com os que podem ser obtidos se no dia 2 for aprovada, como sugerem as pesquisas neste momento, a chamada Proposta 19. "A maconha é o ouro do futuro na Califórnia", afirma Clifford Schaffer, editor do site da internet MarijuanaBusinessNews.com.
A simpatia do eleitorado local pela legalização vem em parte de uma motivação econômica. O mercado ilegal de maconha movimenta atualmente nos EUA, segundo cálculos do Departamento de Combate às Drogas (DEA na sigla em inglês), mais de US$ 30 bilhões. Os promotores da proposta estimam que na Califórnia o negócio legal poderia representar em um primeiro ano entre US$ 3 e 4 bilhões. Calculando que o preço atual de US$ 300 por onça (28 gramas) praticado nos dispensários para fins medicinais - valor semelhante ao da venda ilegal nas ruas - baixasse para cerca de US$ 40 por onça, o Estado poderia arrecadar cerca de US$ 1,2 bilhão em impostos com uma taxa sobre o produto de US$ 50 por onça.
Em meio à aguda crise econômica que vive a Califórnia, especialmente suas finanças públicas, este é um argumento decisivo por si só. Mas outra parte do apoio popular à proposta tem a ver com a idiossincrasia deste estado. Aqui, desde os anos 1960, se estabeleceram gerações de antigos hippies para os quais a maconha é, além de um produto curativo e mágico, um símbolo de liberdade individual.
O cultivo doméstico de maconha e seu consumo em privado e em público nunca cessaram, apesar da ilegalidade. A metade dos 37 milhões de habitantes deste estado, onde hoje já existe uma grande tolerância, confessa nas pesquisas que a experimentou em alguma ocasião.

No mês passado o governador Arnold Schwarzenegger assinou uma lei que transforma a posse de maconha em uma falta menor, semelhante a uma multa de trânsito, penalizada com US$ 100. Se a proposta for aprovada, as cidades terão o poder de permitir em suas jurisdições a venda para maiores de 21 anos e o cultivo em extensões não superiores a 65 quilômetros quadrados. Os mais otimistas entre seus partidários não duvidam de que muito em breve poderá se transformar em um negócio mais próspero que o vinho.

Esse futuro ainda está sujeito, porém, a diversos obstáculos. Em primeiro lugar é necessário que a Proposta 19 seja aprovada. Nos últimos dias as pesquisas se equilibraram em conseqüência de uma forte campanha contra a iniciativa devido às consequências negativas que poderia ter nos planos nacional e internacional. Entre as ameaças mais graves está a do promotor geral dos EUA (ministro da Justiça), Eric Holder, que prometeu aplicar "com toda a energia" as leis federais contra a produção e o consumo de drogas, independentemente do que digam as leis californianas.
Se a legislação for aprovada, é previsível uma disputa jurídica, semelhante à do Arizona sobre a lei de imigração, entre o estado da Califórnia e as autoridades federais. O governo teme que uma medida desse tipo dificultaria enormemente o combate ao narcotráfico no conjunto do país, devido ao efeito contagioso da proposta e a evidente fragilidade em que ficariam os responsáveis por essa luta.
Mais grave ainda, o governo central considera que a legalização na Califórnia colocaria os EUA em uma posição muito difícil diante de outros países com os quais existem tratados internacionais contra as drogas ou estão em jogo interesses de grande importância. Basta citar como exemplo o Afeganistão, onde os americanos promovem a erradicação do cultivo do ópio, ou especialmente o México, onde o governo trava uma guerra sangrenta contra os narcotraficantes cujo negócio, em mais de 50%, segundo a DEA, está relacionado à maconha.
Washington vê aproximar-se um caos jurídico dentro do país e uma sucessão de problemas internacionais que, em última instância, poderiam acabar prejudicando politicamente Barack Obama. A autorização poderia dar lugar ao espetáculo surrealista de se vender e consumir maconha legalmente em San Diego (EUA), enquanto se mata por essa mesma atividade em Tijuana (México), do outro lado da fronteira.
Outro argumento contra a legalização é o de suas consequências para a saúde pública. Grande parte do que o Estado poderia arrecadar com a venda de maconha teria de gastar, como ocorre atualmente com o álcool e o tabaco, para atender os diversos casos de dependência que a droga provoca.
Por todos esses motivos, a proposta é alvo nestes dias de fortes ataques de diversos ângulos do establishment político e social, embora os candidatos à eleição, conscientes da popularidade da maconha, se abstenham de criticá-la em público. O debate rompeu as barreiras partidárias, e apesar de os republicanos serem mais claros em suas condenações este não é um tema de debate na campanha para os cargos do Congresso.
Nesse sentido, pode-se dizer que a proposta venceu. Ninguém mais pode subtrair-se ao debate sobre a legalização, até agora considerada uma mera loucura.

'Maconha fumada na Califórnia estará manchada com sangue mexicano'

O local é Tijuana. O motivo, a queima das 134 toneladas de maconha - três carretas repletas de pacotes de dez quilos - apreendidas na segunda-feira pela polícia municipal e o exército mexicanos. Mas há mais. A imensa fogueira de aromática fumaça preta, visível durante horas do outro lado da fronteira, também é um símbolo. Dentro de alguns dias o estado da Califórnia votará a descriminalização do consumo de maconha, enquanto deste lado o tráfico clandestino continua provocando dezenas de mortes diárias.
Para o tenente-coronel Julián Leyzaola, chefe da Polícia Municipal de Tijuana e uma referência no combate ao narcotráfico, a iminente legalização provoca uma rejeição que ele resume em uma frase: "A maconha fumada na Califórnia estará manchada com sangue mexicano".
Cachorro, lobo, tatu, cavalo... todos os pacotes de maconha - cinza, vermelhos, brancos, amarelos - estavam perfeitamente identificados com essas palavras ou com desenhos de cachorros dálmatas ou dos Simpson. Durante uma manhã inteira, um batalhão do exército mexicano se dedicou a retirar os pacotes das carretas, destruir com machados sua embalagem de plástico e papel alumínio, molhá-los finalmente com querosene...
O que pretendia ser uma demonstração da eficácia do combate conjunto ao narcotráfico também foi a do gigantesco andaime que sustenta o negócio dos cartéis. Apesar dos golpes que recebe, nunca faltam pacotes de dez quilos para abastecer um mercado tão fiel. Talvez se deva buscar a razão nos dados publicados no último número da revista mexicana "Nexos": "A proibição é o que faz que um quilo de maconha valha no México US$ 80 e que esse mesmo quilo custe US$ 2 mil na Califórnia; que um quilo de cocaína valha em uma cidade de fronteira mexicana US$ 12,5 mil e US$ 26,5 mil na cidade americana vizinha..."
Como frear um negócio tão florescente? A revista, dirigida pelo escritor Héctor Aguilar Camín, também oferece sua resposta. O título de seu editorial - "Pela legalização das drogas" - não deixa dúvidas sobre a posição de boa parte da intelectualidade mexicana.
Portanto, a descriminalização da droga na Califórnia só fez atiçar uma fogueira - mais uma - que já queimava no México havia meses. Inclusive o presidente Felipe Calderón, cujo mandato gira em torno do combate ao crime organizado, mostrou-se favorável a tal debate, embora ele continue frontalmente contra a droga. Suas ordens para policiais e militares são claras: "Lutem juntos contra o narcotráfico".
Tijuana é sem dúvida o lugar onde essa mensagem calou mais fundo. Até onde se vê, a coordenação é total. O tenente-coronel Leyzaola submeteu a polícia municipal a uma depuração profunda e assumiu a luta contra os bandidos. O exército e a polícia federal só atuam quando ele os solicita. O sistema parece estar dando resultados. O sinal é uma coluna de fumaça preta gigantesca, de cheiro forte.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

“Sería bueno asumir que el ser diferentes nos iguala”

LUNES, 4 DE OCTUBRE DE 2010
CULTURA › UNA CHARLA CON PAOLO ZANOTTI, AUTOR DEL NOTABLE LIBRO GAY

“Yo no creo en la existencia de una literatura gay totalmente independiente de la literatura en general”, dice Zanotti, cuyo libro tiene el mérito de no encasillarse en simplificaciones ni en la tediosa corrección política.
 Por Facundo García
Se habla de la homosexualidad con la misma insistencia con que se la oculta. Los retrógrados siguen confiando en los poderes mágicos de su propia indignación, en la esperanza de que “los degenerados” vuelvan al placard por designio divino. Desde la vereda de enfrente, la racionalidad se enlaza con cierta tendencia a la idealización; y en el campo académico los estudios queer vienen dando cuenta de esas contradicciones. Por ese tablero de piezas en pleno movimiento se interna el libro Gay, de Paolo Zanotti (Fondo de Cultura Económica), que tiene el mérito de no encasillarse en simplificaciones ni en la tediosa corrección política. Y no porque se sitúe en una supuesta “objetividad”: el autor no tiene miedo de opinar sobre temas espinosos y va trazando, con una prosa que no opone el rigor a la elegancia, la posible historia sociocultural de una de las minorías que está en el centro de la escena contemporánea.

La pluma y la palabra

En julio, el Parlamento argentino aprobó una nueva legislación que admite el casamiento entre personas del mismo sexo. Más allá del legítimo reclamo a ser tratados con igualdad ante la ley, ¿cuánto influyó en el cambio el hecho de que los gays se estén estabilizando como estereotipos del consumidor ideal? “No creo que haya influido particularmente”, levanta el guante Zanotti. “O mejor dicho, influyó sólo en el sentido de que los mercados atractivos tienen más chances de ser oídos dentro de este sistema. Ciertamente no es un fenómeno nuevo. El auge de la contracultura juvenil y del feminismo –la única revolución que realmente logró hacer algo que trascendiera los ’60 y los ’70– estuvieron acompañados por la identificación de las mujeres y los jóvenes como un mercado fuerte, mucho mayor incluso que el formado por los hombres adultos.”
–Y la pareja gay es el paraíso de los vendedores...
–Es cierto que en muchos países los gays se han identificado como un mercado rico, en la presunción de que una pareja así está compuesta, teóricamente, por dos trabajadores sin hijos, por lo que pueden gastar más. No siempre es así: en las últimas semanas las estadísticas italianas han demostrado que los gay declarados ganan en promedio menos que los heterosexuales. Otro tanto sufren las mujeres. En términos más generales, diría que antes de obtener sus derechos, los gays necesitaron superar el ocultamiendo y la marginación. Y a medida que emergían, el mercado tomó nota.
En su investigación, Zanotti cuenta que uno de los que intuyeron el cambio fue Karl Marx, aunque aparentemente ni él ni su amigo Engels hubieran estado muy a gusto en una marcha del Orgullo. En 1869, el pensador que acababa de publicar El Capital encontró un panfleto en defensa de la homosexualidad. Se lo reenvió a su camarada, no por tirarle una indirecta sino porque el texto le pareció curioso. El 22 de junio, un alarmado Engels respondió por carta. “Los pederastas –avisó– comienzan a ser numerosos y se están dando cuenta de que son una potencia dentro del Estado. Lo único que les faltaba era una organización, pero parece que dicha organización ya existe en secreto. Y entre ellos se cuentan tantos hombres importantes de los viejos partidos e incluso de los nuevos que su victoria es inevitable (...) Es una suerte que seamos demasiado viejos para tener que pagar un tributo corporal...”
Poco se ha escrito sobre el destino que corrieron los glúteos de aquellos patriarcas de la izquierda. Lo seguro es que el divague de Engels sonaría ridículo en boca de cualquier progre actual. Sin embargo, el terror a una conspiración promiscua mantiene una espantosa vigencia. Hágase la prueba de comentar en una charla de café que entre los mineros chilenos atrapados hay un gay, y se deslizarán al instante cuatro o cinco hipótesis que serían divertidas si no fuera porque parten de un prejuicio que sume en la marginación a millones de seres humanos.
–A pesar de los obstáculos, el activismo viene inclinando la balanza en favor del respeto por las diferencias. Eso trajo aparejado, entre otros fenómenos, el auge de productos específicamente diseñados para gays. El hecho de convertirse en un target para el marketing, ¿no implica un encarcelamiento de la identidad dentro de la prisión capitalista, en la medida en que ser gay ha comenzado a significar también cumplir con determinadas pautas de consumo?
–En la etapa temprana de “aceptación de la diversidad”, no veo que tenga nada de malo el desarrollo de un mercado gay que se base en la utilidad y no en una definición esencialista de la identidad. Tomemos el caso de la literatura. Yo no creo en la existencia de una literatura gay totalmente independiente de la literatura en general. Pero sin duda, al menos en ciertos períodos históricos, y para un público de jóvenes todavía en busca de sí mismos, la disponibilidad de libros “para ellos” es útil. De lo contrario, muchas de estas personas quedan condenadas a vivir en un mundo que nunca –ni siquiera cuando los discrimina– tiene en cuenta su existencia.
–Pero en algún momento esta identificación entre identidad y pautas de consumo se vuelve problemática...
–El inconveniente viene después, cuando la identidad se hace coincidir con la apariencia y los hábitos de consumo. No sé si hay mucho margen para evitar eso: las minorías tienden a tener menos variedad debido a su necesidad de unirse y reconocerse en esa unión. Dicho esto, tampoco es cierto que pertenecer a la mayoría permita automáticamente acceder a una mayor variedad de estilos de vida para elegir. Basta ser un poco observador para darse cuenta de que las parejas heterosexuales suelen ser más homogéneas (especialmente en lo que respecta al origen social de sus integrantes) que las parejas homosexuales.
De Platón a Marlene Dietrich, sin olvidar a los dandies decimonónicos ni a Manuel Puig, Zanotti traza una historia que –a causa del silenciamiento que padecieron sus protagonistas– tiende a ser incompleta. Así el lector se entera de que las primeras subculturas homo modernas aparecieron en Londres y Amsterdam, donde había casas en las que los hombres se llamaban entre sí con apodos femeninos y escenificaban bodas ficticias; repasa la resistencia de las lesbianas y descubre a personajes como Charles de Beaumont –”el Casanova del travestismo”–, que cosechó andanzas de a docenas como espía y como amante. Capítulo a capítulo, la multiplicación de perspectivas le da espesor al análisis y deja entrar las paradojas. Es llamativo, sin ir más lejos, que un movimiento que dio pensadores tan radicales como Pier Paolo Pasolini arranque el milenio aglutinándose alrededor del sueño de casarse.
–El casamiento gay, ¿no significa una “tregua” hacia los valores burgueses?
–Cuando estaba terminando de presentar este libro en Madrid, un hombre del público, viejo gay él, me gritó que él no iba a perder el derecho a ser “maricón” en lugar de “gay”, y que la idea del matrimonio le daba escalofríos. De hecho, en términos de cierta tradición, pero también en términos de cierta vanguardia de los años setenta –cuando ser homosexual era un posible camino de combate a la familia burguesa–, el matrimonio gay es interpretable como un fracaso. Lo que ocurre es que no se puede hacer la revolución en la piel de los demás. En otras palabras, no se les puede pedir a otros que asuman la carga de la diversidad. Vivir a contracorriente puede ser bueno si uno cree que tiene valor, pero sólo se le puede pedir a la gente muy fuerte (o muy rica o muy famosa, que sabemos que en esta coyuntura es más o menos lo mismo).
–Igual el cambio en la legislación tiende a percibirse como progresista...
–Creo que, independientemente de si uno quiere casarse o no, el matrimonio entre personas del mismo sexo es importante por una razón sobre todo simbólica. Desde la perspectiva de una pareja, no ser reconocidos por la sociedad es un peso que afecta a la estabilidad. De ahí que no me parezca razonable negar el matrimonio, o por lo menos una forma de unión civil como el PACS francés (en Italia no tenemos ninguna de esas cosas, ni siquiera las uniones civiles para heterosexuales). Dado que el gay es un ciudadano que paga impuestos como cualquier otro, tiene el derecho a formalizar sus lazos emocionales como cualquiera. Porque además el matrimonio no es económicamente neutro. Y eso por no meternos con el derecho hereditario.

Destapes del mañana

–Da la impresión de que la homosexualidad va camino a ser reconocida como una opción más dentro del abanico de elecciones vitales. ¿Cuál cree que será el próximo paso? ¿Cuáles son los grupos o identidades que falta liberar?
–Bueno, pareciera que la fragmentación no tiene fin. Está claro que la identidad es una cosa extraña. ¿Existe, en sí misma, la identidad? A menudo se recurre a ella por razones tácticas, para acoplar los propios reclamos en torno de un grupo. En efecto, en las últimas décadas se tiende a pensar en cualquier nivel sólo en esos términos: podemos hablar únicamente como representantes de una identidad (sexual, racial, religiosa, etcétera); y mejor si somos oprimidos a causa de ella. Es difícil encontrar palabras de un portavoz “externo” a la identidad.
–Cada quien habla desde su rótulo... y las banderas más abarcadoras quedan en el suelo.
–Sería bueno liberarnos de eso, comprobar que las diferencias son infinitas asumiendo que el hecho de ser todos diferentes nos iguala. Pero están las situaciones reales, porque no es cierto que la práctica de nuestra diversidad sea neutra. Puedo pensar en que llegará el día en que el ser gay o heterosexual será igual a tener el pelo negro o claro. Hoy no se da: ser gay puede ser peligroso, por lo que los debates sobre identidad sexual se fortalecerán, por más que sólo sea –repito– por razones tácticas. El próximo frente es sin duda la transexualidad, que antes se metía en el mismo saco de la homosexualidad. Y más tarde será la cuestión de la bisexualidad. Ese es un territorio distinto, porque podemos ver que una vez formada una pareja estable, en cierta medida, sus integrantes abandonan la bisexualidad (al menos transitoriamente). Yo diría que las personas bisexuales siguen siendo mal vistas incluso por los homosexuales, que tienden a considerar que están ante gays o lesbianas que se avergüenzan de sí mismos. Esta acusación es típica de la lógica de nuestros tiempos: la desconfianza hacia aquellos que no tienen identidad “pura”.
El especialista sostiene que la defensa gay no debe deslindarse del contexto. Un mensaje que captó proféticamente el Frente de Liberación Homosexual que acunó por aquí el gran Néstor Perlongher. ¿Cuáles son los “eslabones intermedios” para catapultarse desde la afirmación sectorial a la búsqueda de una sociedad más justa económica, política y socialmente? “Se trata de un problema general de la política, que se suscitó tras el fin de las grandes ideologías. Entonces ese lugar quedó para la defensa de causas ‘locales’ y ‘específicas’”, esboza Zanotti, para subrayar luego que deben hacerse dos observaciones antes de desestimar esas reivindicaciones “micro”: la primera es que las grandes ideologías a menudo ignoraron los derechos civiles, lo que explica su protagonismo tardío. La segunda es que apostar a que se abandone la lucha dentro de la lógica de las “especificidades” demandaría un esfuerzo sobrehumano, ya que junto con las grandes ideologías cayeron las formas más amplias de identificación. “Lo ideal –engloba el entrevistado– sería que se luche por identidades ‘específicas’ y que las personas que se formen ahí pasen paulatinamente a otra instancia. Sería agradable ver (en algún lugar existe, aunque no en Italia), políticos no gays apoyar a los gays, y políticos gays que se consideraran políticos y aparte de eso gays.”

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por todas nós: Aborto é moeda eleitoral no segundo turno do BrasIL

DISPONÍVEL EM: http://portodasnos.blogspot.com/2010/10/aborto-e-moeda-eleitoral-no-segundo.html#more
Por Fabiana Frayssinet 

IPS Brasil - Rio de Janeiro, Brasil, 15/10/2010
IPS News - article in english 

19/10/2010

O aborto se converteu em uma arma “tira votos”, da qual dois candidatos fogem na campanha para o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, e que os setores religiosos mais conservadores usam como troca para dar seu apoio. Esta é uma situação que não reflete a posição majoritária do eleitorado sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, afirmam analistas e representantes do movimento feminino organizado, que criticam o uso do corpo das mulheres como moeda eleitoral e qualificam o assunto como falso dilema. 

A legalização ou não do aborto – no Brasil punido com prisão de até dez anos, só permitido em caso de risco de morte para a mãe ou se a gravidez é produto de violação – protagoniza a agenda para a votação do dia 31, entre Dilma Rousseff, del gobernante Partido dos Trabalhadores (PT) e José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). As alegações de que Dilma é a favor da legalização do aborto são vistas como principal causa para a candidata favorita não ter conseguido a vitória no primeiro turno. Uma enxurrada de votos migrou da candidata do PT para Marina Silva, que disputou o primeiro turno pelo Partido Verde (PV) e pertencente à Igreja Evangélica.

Marina, que condena o aborto e defende a realização de um plebiscito sobre sua eventual legalização, surpreendeu no primeiro turno obtendo 20% dos votos, contra 47% de Dilma e 33% de Serra. Na campanha para o segundo turno, Dilma e Serra se apresentam como paladinos de uma cruzada moralista contra a despenalização do aborto, sendo que no passado ambos expressaram uma posição de abertura ao direito de as mulheres decidirem.
Beatriz Galli, da não governamental Ipas Brasil (filial de uma rede internacional que promove os direitos e a saúde sexual das mulheres), lamentou à IPS o fato de a discussão ter se reduzido “a estar contra ou a favor do aborto, ou contra ou a favor da vida”. Dilma havia defendido antes que era preciso avançar para a despenalização do aborto, enquanto agora destaca em seu site que está “pessoalmente contra o aborto”. Com o apoio de uma foto do recente batizado de seu primeiro neto, diz que “seria muito estranho que tendo uma manifestação de vida no seio de minha família eu defender uma posição a favor do aborto”.
Dilma assegura que o aborto induzido é “uma violação contra a mulher”, embora acrescente que em seu provável governo “o Estado brasileiro não considerará isso como uma questão de polícia, mas de saúde pública e social”. José Serra segue essa linha. Em 1998, como ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), contribuiu para regulamentar a prática do aborto dentro da saúde pública, nos casos de vitimas de violação, mas agora alerta que sua legalização causaria “uma carnificina”.
Além disso, Serra apela para frases como “um homem que nunca se envolveu em escândalos e sempre foi coerente, condenou o aborto e defendeu a vida”, ou “um homem de família”, para contrapor sua imagem à de Dilma, divorciada e participante durante a juventude da luta clandestina contra a ditadura brasileira (1964-1985). Para Beatriz, está sendo produzido “um falso dilema, porque a questão principal é se o Estado deve criminalizar uma questão de saúde pública, colocando a saúde e a vida das mulheres em risco por obrigá-las a buscar um aborto clandestino”.
Estimativas conservadoras do Sistema Único de Saúde indicam que no Brasil são feitos anualmente pelo menos um 1,5 milhão de abortos clandestinos. As complicações pela prática insegura ocasionam 250 mil internações em centros públicos de saúde a cada ano, e é uma das principais causas de mortalidade materna. Beatriz insiste que não deve ser reduzido a um enfoque religioso um assunto de direitos humanos das mulheres.
Um estudo da antropóloga Débora Diniz, pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, revela que uma em cada cinco brasileiras submeteu-se a um aborto antes dos 40 anos. Das mulheres que abortaram, 88% se declararam religiosas, diz o estudo. Um dado revelador neste país de 192 milhões de habitantes, com a maior quantidade de católicos do mundo e onde os fieis evangélicos crescem em ritmo vertiginoso.
“A história dessas mulheres não pode ser ignorada pela busca desenfreada dos votos das comunidades religiosas que consideram o aborto um crime abominável”, afirma Débora em um artigo. “O aborto se transformou em moeda de troca para ganhar votos”, acrescentou, afirmando que as concessões políticas feitas pelos candidatos representam “ameaças democráticas”, porque comprometem o princípio do Estado laico.
Guacira César de Oliveira, diretora-fundadora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), disse à IPS que existe uma análise tendenciosa “que exige dos candidatos um determinado posicionamento contra o aborto, como se fosse a única possibilidade de ganhar a eleição”. Guacira a atribui a uma “ofensiva conservadora de direita junto ao fundamentalismo religioso”, que conseguiu colocar o aborto no centro da campanha, acima de outros temas que também teriam sido obstáculos para a vitória de Dilma no primeiro turno, como a corrupção.
Entre esses temas estão as denúncias de corrupção do governo Lula, do qual Dilma foi integrante desde seu início em 2003 até março último, primeiro ministra de Minas e Energia e depois chefe de gabinete. Guacira destacou que a “satanização eleitoral” do aborto não reflete a opinião da maioria. Recordou que o majoritário eleitorado feminino deve recorrer ao risco de um aborto inseguro “para garantir sua opção de ter filhos quando quiserem e puderem. Os úteros das mulheres não pode ser moeda de troca nestas eleições”, ressaltou.

Carmem Silva, educadora do Instituto Feminista para a Democracia “SOS Corpo”, concorda que se trata de uma manipulação do “fundamentalismo religioso” que cresceu em todo o mundo, mas que no Brasil teria se associado “aos grandes meios de comunicação, aos políticos de direita e aos militares com saudades da ditadura militar”. Guacira e Carmem destacam que o aborto deixou fora dos debates temas da agenda das mulheres, como participação política, cuidados com as vítimas de violência e igualdade de oportunidades no trabalho. “Com tantas questões cruciais para a democracia e os direitos fundamentais, como educação, segurança pública ou a assistência social, o curioso é que se aposte em que o novo presidente do Brasil será escolhido por sua posição sobre o aborto”, resumiu Débora. 
Envolverde/IPS (FIN/2010)

POR TODAS AS MULHERES - Universidade Livre Feminista


BRASIL (2010) - [VERSÃO COMPLETA] O Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA) produziu este vídeo para mobilizar as mulheres brasileiras à defesa dos direitos de todas as mulheres em escolher se devem ou não levar adiante uma gravidez indesejada. Essa campanha tem por objetivo defender a autonomia das mulheres e evitar as centenas de mortes provocadas por abortos inseguros no país.


Setores ultra-conservadores, a direita e fundamentalistas cristãos (igreja católica e outras) estão intervindo no Congresso Nacional para criar leis que obriguem as mulheres a concluirem qualquer tipo de gravidez, motivada por estupro, que possa provocar a morte da mulher, de anencéfalo etc. Para tanto chegam a propor até o pagamento em dinheiro para a mulher vítima de estupro que leve ao fim a gravidez. Essa proposta absurda tem sio chamada pelos movimentos feministas de BOLSA ESTUPRO.

Os debates no Congresso Nacional, monopolizados, por esses grupos extremistas, mostram o quão violento e dominador é o machismo e o fundamentalismo religioso.

É importante mobilizar as mulheres. Mobilizadas e conscientes de seus direitos, podem produzir mudanças políticas e legais no país. 

Mais informações podem ser obtidas no site criado pelo Cfemea para essa campanha:portodasnos.blogspot.com

Este vídeo foi produzido em agosto de 2010 pela ILLUMINATTI - illuminatifilmes.com

com o patrocínio da
HEINRICH BÖLL STIFTUNG

e com o apoio de
-Safe Abortion Action Fund
-Ford Foundation
-WHC

Agradecimentos ao
-Fórum de Mulheres Negras do Distrito Federal
-Associação Lésbica de Brasília (Coturno de Vênus)
-Fórum de Mulheres do Distrito Federal

CFEMEA - 2010 - Brasil - cfemea.org.br

União Europeia desiste de ação legal contra França por ciganos



19/10/2010 | 14:58 | REUTERS



Em uma entrevista coletiva na cidade de Deauville, na costa norte da França, Sarkozy afirmou estar satisfeito com a decisão da Comissão


O braço executivo da União Europeia retirou as ameaças de uma ação disciplinar contra a França em razão da expulsão de imigrantes ciganos depois que Paris concordou em reformar suas leis de imigração.
A decisão deve melhorar as relações entre a França e a Comissão Europeia, que foram abaladas pelas críticas da UE à campanha francesa para expulsar 8 mil ciganos e enviá-los para a Romênia e a Bulgária este ano.
A Comissão havia acusado a França de não refletir nas leis do país as regras da UE sobre migração e deu a Paris o prazo até 15 de outubro para modificar a legislação ou enfrentar possíveis sanções judiciais.
"A França respondeu positivamente", disse a comissária de Justiça da UE, Viviane Reding, em um comunicado. "A Comissão Europeia agora, por enquanto, não imporá o procedimento por infração contra a França."
A lei europeia permite que os Estados expulsem os cidadãos de outro Estado membro caso eles representem um risco à segurança pública ou um peso ao sistema de bem-estar social, mas tais expulsões precisam ser adequadas e evitar alvejar um grupo étnico específico.
O governo francês afirmou na semana passada que um novo pacote sobre imigração trataria das críticas da Comissão, mas autoridades francesas têm defendido as expulsões, afirmando que eram necessárias para garantir a ordem pública.
Grupos de direitos humanos, a Igreja Católica e a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmaram que a política da França era discriminatória contra os ciganos, que formam a maior minoria étnica da Europa.
Políticos franceses da oposição acusaram o presidente Nicolas Sarkozy de alvejar os ciganos para tentar aumentar sua popularidade com uma retórica dura contra a criminalidade numa época de austeridade orçamentária.
Em uma entrevista coletiva na cidade de Deauville, na costa norte da França, Sarkozy afirmou estar satisfeito com a decisão da Comissão.
"A Comissão decidiu isso pela simples razão de que não houve discriminação e isso coloca fim a um período de controvérsias que poderia ter sido evitado", afirmou ele.
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